sexta-feira, 8 de abril de 2016

Concurso Contemporânea de Çiteratura 2016 - Poesia


CONCURSO CONTEMPORÂNEA DE LITERATURA 2016
MODALIDADE – POESIA
 
Realização: Contemporânea – Projetos Culturais

 
Inscrições até  10 de junho de 2016

 
Tema: Livre

 
Objetivo: Despertar o interesse pela arte e cultura, através da produção literária, resultado da prática da boa leitura;
Podem se inscrever autores brasileiros ou estrangeiros com textos escritos, obrigatoriamente, em língua portuguesa.
Pessoas vinculadas à Contemporânea – Projetos Culturais estão impedidas de participar deste Concurso.
Cada autor poderá participar com apenas um poema, inédito, digitado em fonte arial  tamanho 12, em cinco vias, impresso em um só lado do papel, contendo, no máximo, 30 (trinta) versos.
As cinco vias do poema inscrito deverão estar identificadas apenas com o pseudônimo do seu autor. Em envelope anexo, lacrado, deverão constar os dados do autor: nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo (inclusive CEP), telefone com DDD, e-mail, pequeno currículo na área literária, título do poema inscrito e como tomou conhecimento do Concurso. Enviar tudo em um envelope maior, identificando o remetente apenas com seu pseudônimo.
 Os poemas inscritos no Concurso, após a realização das fases de seleção, farão parte do arquivo da Contemporânea – Projetos Culturais e não serão devolvidos.
A seleção dos trabalhos será feita por uma comissão julgadora formada por escritores e/ou pessoas de reconhecida capacidade intelectual, vinculadas ao mundo da arte e da literatura.
Serão selecionados vinte e cinco (25) poemas, entre os participantes e, em etapa posterior, escolhidos entre eles os cinco (05) melhores, premiando-se os seus autores. Ao autor do poema vencedor será outorgado o “Troféu Contemporânea”.  Para os classificados entre 2º e 5º lugares, serão concedidas medalhas. Os vinte e cinco (25) poemas finalistas farão parte da antologia que será lançada na  premiação do Concurso.
A comissão julgadora reserva-se ao direito de premiar quantidade menor de participantes, se entender que o nível dos trabalhos não faz jus aos objetivos do Concurso. 
A divulgação do resultado acontecerá na solenidade de premiação, que será realizada em Santos/SP, no mês de novembro de 2016, em data e local a serem amplamente divulgados.
Os premiados e finalistas que não puderem comparecer à solenidade de premiação, deverão designar representante. As despesas decorrentes do envio dos  prêmios através dos correios (por meio de correspondência registrada) ficarão por conta dos premiados.
Enviar os trabalhos para: Concurso Contemporânea de Literatura 2016 – Caixa Postal 2502 – Santos - SP - CEP 11025-971, até o dia 10/06/2016, valendo a data do carimbo de postagem nos correios.   

Concurso Contemporânea de Literatura 2016 - Crônica


CONCURSO CONTEMPORÂNEA DE LITERATURA 2016
MODALIDADE – CRÔNICA
 
Realização: Contemporânea – Projetos Culturais

 
Inscrições até  10 de junho de 2016

 
Tema: Livre

 
Objetivo: Despertar o interesse pela arte e cultura, através da produção literária, resultado da prática da boa leitura;

Podem se inscrever escritores residentes nos municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Vicente).

Pessoas vinculadas à Contemporânea – Projetos Culturais estão impedidas de participar deste Concurso.

Cada autor poderá participar com apenas uma crônica, inédita, digitada em fonte arial  tamanho 12, em cinco vias, impressa em um só lado do papel, contendo, no máximo, duas laudas com, até,  vinte e cinco (25) linhas em cada lauda.

As cinco vias da crônica inscrita deverão estar identificadas apenas com o pseudônimo do seu autor. Em envelope anexo, lacrado, deverão constar os dados do autor: nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo (inclusive CEP), telefone com DDD, e-mail, pequeno currículo na área literária, título da crônica inscrita e como tomou conhecimento do Concurso. Enviar tudo em um envelope maior, identificando o remetente apenas com seu pseudônimo.

 
As crônicas inscritas no Concurso, após a realização das fases de seleção, farão parte do arquivo da Contemporânea – Projetos Culturais e não serão devolvidas.

A seleção dos trabalhos será feita por uma comissão julgadora formada por escritores e/ou pessoas de reconhecida capacidade intelectual, vinculadas ao mundo da arte e da literatura.

Serão selecionadas dez (10) crônicas, entre as participantes e, em etapa posterior, escolhidas entre elas os três (03) melhores, premiando-se os seus autores. Ao autor da crônica vencedora será outorgado o “Troféu Contemporânea”.  Para os classificados entre 2º e 3º lugares, serão concedidas medalhas. As dez (10) crônicas finalistas farão parte da antologia que será lançada na  premiação do Concurso.

A comissão julgadora reserva-se ao direito de premiar quantidade menor de participantes, se entender que o nível dos trabalhos não faz jus aos objetivos do Concurso. 

A divulgação do resultado acontecerá na solenidade de premiação, que será realizada em Santos/SP, no mês de novembro de 2016, em data e local a serem amplamente divulgados.

Os premiados e finalistas que não puderem comparecer à solenidade de premiação, deverão designar representante. As despesas decorrentes do envio dos  prêmios através dos correios (por meio de correspondência registrada) ficarão por conta dos premiados.

Enviar os trabalhos para: Concurso Contemporânea de Literatura 2016 – Caixa Postal 2502 – Santos - SP - CEP 11025-971, até o dia 10/06/2016, valendo a data do carimbo de postagem nos correios.   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A vida é feita de Escolhas


A vida é feita de escolhas

 

Maurilio Tadeu de Campos

 

A vida é repleta de inúmeras escolhas que nos remetem a impasses, algumas vezes difíceis de resolver. Desde que nascemos fomos orientados a optar, a tomar decisões, a ir por um ou por outro caminho, sabendo das responsabilidades pelas consequências de cada escolha.

Há escolhas simples, desde aquelas que nos possibilitam definir com qual roupa iremos sair, o que comer nas refeições, que direção tomar diante de inúmeros caminhos. Escolhas mais complexas também permeiam o nosso desempenho na vida: se iremos nos envolver com uma determinada pessoa, decidir por viver só ou acompanhado, casar, ter filhos, adquirir um bem, escolher o lugar para morar, optar por uma carreira e preparar-se adequadamente para bem desempenhar a nossa profissão.  E assim, fazemos escolhas que poderão nos proporcionar prazer, felicidade ou, até, arrependimentos para, assim, poder ter novas oportunidades para mudar, seguindo novos rumos.

          Quando optamos por um caminho novo acabamos envolvendo outras pessoas nas nossas escolhas, os nossos companheiros de jornada. As escolhas que praticamos também dependem daquelas que também são feitas pelas pessoas envolvidas em nossa vida, pois convivemos e compartilhamos situações em conjunto e cada movimento que fazemos influencia os movimentos dos nossos parceiros. E as escolhas deles também acabam influenciando as nossas. Podemos ser livres para tomar todas as atitudes que pretendemos, mas precisamos entender que, muitas vezes, deixamos de ser mais ousados porque se o formos, comprometeremos pessoas que gostamos e, certamente, precisaremos ser mais cautelosos para não magoá-las, uma vez que as alegrias e ansiedades delas também serão nossas.

          Seria interessante se pudéssemos viver vidas dentro da nossa vida, de maneira que, de tempos em tempos, pudéssemos encerrar uma etapa e iniciar outras. Mas, se assim o fizéssemos, que sentido teria a nossa existência se não fosse toda ela construída a partir das escolhas? Cada escolha vai se acumulando a outras, sendo difícil interromper essa sequência de opções “livremente pretendidas e obtidas”.

          Quando nos encontramos no recesso dos nossos lares, recolhidos aos nossos próprios pensamentos, compreendemos que somos o resultado das inúmeras escolhas que praticamos. Certamente nos vem à mente que se tivéssemos tomado outras decisões tudo seria totalmente dessemelhante; outras escolhas determinariam outras consequências que nos fariam passar por experiências diferentes e seríamos, então, pessoas nada parecidas às que somos hoje.  As experiências acumuladas fazem de nós seres únicos e distintos dos nossos semelhantes, apesar de sermos tão parecidos em atitudes e reações.

Então, antes de maldizer a má sorte, e ter atitudes negativas diante da nossa atual condição de vida, precisamos entender que todas as escolhas que fazemos são as melhores e que, a partir delas baseia-se a (re)construção da nossa vida, abalizada nas preferências que nos  possibilitam ser cidadãos mais felizes, mais capazes de fazer novas e muitas outras escolhas que deixam marcas na nossa estrada já percorrida e que nos auxiliarão a trilhar caminhos ainda não conhecidos com a segurança que trazemos dentro de nós, pois somos fortes o suficientemente para superar todos os obstáculos encontrados ao longo da nossa existência.

Tecnologia Aproxima ?



Quando jovem, sonhava em possuir uma máquina de escrever. Custei a ter esse tão sonhado instrumento de escrita e, quando consegui comprar, precisei escolher a mais barata, que cabia no meu orçamento. Era uma máquina portátil, bem compacta. O tempo passou e eu adquiri outra, maior, com mais recursos e, assim, fui construindo meus textos e, com mais entusiasmo, passei a produzir jornais literários, contando com a ajuda de um mimeógrafo para reproduzir os periódicos. Era o máximo! Podia divulgar, assim, prosa e poesia de escritores locais e sofisticar os saraus literários da ocasião.

O tempo passou e, já nos anos noventa, comprei o meu primeiro microcomputador, bem mais sofisticado do que a máquina de escrever, que possibilitou ampliar a minha capacidade para produzir e reproduzir trabalhos com excepcional definição. Conseguia resultados bem melhores do que aqueles antes obtidos. Meus contatos com as pessoas passaram a ser mais ágeis. Antes usava cartas, cartões de mensagens, telegramas e outros meios de comunicação mais tradicionais; agora, os e-mails e as comunicações nas redes sociais permitiam rapidez nos relacionamentos, o que me fez abandonar de vez aquela minha aquisição de jovem ansioso pela sua primeira máquina de escrever. O computador passou a estar diante de mim, um aparelho habitual mais preciso, complexo e fascinante.

A tecnologia avançou e possibilitou a todos possuir instrumentos de comunicação ainda mais sofisticados. O telefone celular (o telemóvel, como dizem os portugueses), quando surgiu, era analógico, servindo apenas para contatos telefônicos; hoje possui múltiplas funções e, uma vez habilitado pode ser utilizado de modo a permitir aos seus usuários comunicação instantânea; antes artigo de luxo, hoje usado por muitas pessoas desde a mais tenra idade. Os tablets ampliaram e facilitaram ainda mais o convívio virtual nessa nossa “aldeia global”.

Hoje vejo crianças muito pequenas manipulando instrumentos de comunicação com uma facilidade que eu ainda não possuo. Os pequenos, ainda não alfabetizados, apoderaram-se da tecnologia com uma precisão espantosa. É habitual encontrar várias pessoas com seus aparelhos eletrônicos num quase frisson, “antenadas” com o mundo. Percebo que virou insignificante a comunicação mais pessoal e, quando acontece, é quase um resvalar de instantes em que os contatos virtuais perdem-se, em decorrência de supostas quedas de sinal.

          Voltei no tempo e percebi que, embora tivéssemos antes menos tecnologia, os contatos pessoais e calorosos nos possibilitavam a convivência mais saudável porque necessitávamos estar mais juntos para por em prática a real comunicação. Hoje as pessoas passaram a adotar comportamentos individualistas porque a sofisticação dos equipamentos parece querer a isso exigir. Eu diria até que os “amigos” acabam por assumir a aparência dos nossos aparelhos, excessivamente virtuais, e que é fácil “desligá-los” quando não estamos mais interessados neles; é só um toque ou um bloqueio e a situação fica “resolvida”. Entendo que, pelo que me parece, será difícil voltar ao tempo em que compartilhávamos mais o “olho no olho”, a “conversa ao pé do fogo” e conseguíamos ver as reações, as lágrimas saltando dos olhos e o sorriso nos lábios, nos muitos momentos em que a emoção possibilitava a prática do verdadeiro bem querer.

sábado, 7 de julho de 2012


Companheira de Viagem



Maurilio Tadeu de Campos



          Saímos juntos para a viagem dos nossos sonhos, dispostos a aproveitar ao máximo os dias de descanso e de lazer no continente europeu. No avião, ficamos em lugares separados. Porém, ao desembarcar, procurei-a inutilmente. Indaguei em vários lugares e ninguém soube me informar sobre o seu paradeiro.

          O tempo passava e eu ia ficando mais preocupado. Em cada hotel eu averiguava se havia alguma notícia, mas nenhuma informação positiva me era fornecida. Ela teria me abandonado? Estaria com outra pessoa? Teria tomado outro rumo sem me avisar? A ausência dela diminuiu a minha satisfação, o meu prazer. Cheguei a pensar em sequestro, mas nenhuma evidência sugeriria tal hipótese. Fiz novos amigos nos lugares em que visitei e, com eles, conheci os mais diversos pontos turísticos. Tudo parecia novidade e eu carecia de distração para não pensar mais na minha companheira de viagem que pensei ser inseparável, mas que desaparecera. Tudo o que queria era estar com ela, usufruir da sua presença. Outras companhias surgiram, mas nenhuma delas me atraia. Eram belas, muitas delas alegres, outras mais sóbrias. Algumas até pareciam ser jovens demais para mim. Porém, meu interesse era reencontrar a companheira sumida.

          Em Paris, fiquei sabendo que ela estaria me aguardando em Londres, no hotel. Fiquei feliz. Iria revê-la dois dias depois. Procurei aproveitar os passeios e quando tomei o trem de Paris a Londres, parecia que os ponteiros do relógio moviam-se mais devagar do que de costume. Finalmente, a chegada à capital inglesa. Lá, o nosso receptivo nos conduziu até o hotel. Entrei apressado e, sem demora, dirigi-me à recepção. Perguntei por ela. Um dos recepcionistas, educadamente, pediu que eu aguardasse. Minutos depois retornou, dizendo que ela não estava no hotel, sequer em Londres. Comprometeu-se, no entanto, a apurar novas informações. A tristeza novamente tomou conta de mim. Fui para o meu quarto e lá fiquei, deitado na cama, no escuro, frustrado. Qual teria sido o seu paradeiro? Por que haviam garantido que ela estava em Londres?

          Na manhã seguinte fui informado que ela embarcara num vôo de retorno ao Brasil, saindo de Madrid. Por mais que eu tentasse, não conseguia compreender aquela separação.

          Retornei ao Brasil. Quase um mês depois, bem cedinho, a campainha tocou. Abri a porta e lá estava ela, na companhia de um jovem rapaz muito alinhado. Teria ela que reaparecer depois de tanto tempo e, ainda por cima, acompanhada? O rapaz apresentou-se como funcionário da empresa aérea na qual havíamos viajado.

          - Senhor, - disse ele – tive a missão de trazer a sua mala, extraviada durante a sua recente viagem à Europa. Em nome da nossa companhia peço desculpas pelos eventuais transtornos.

          Olhei-a com estranheza. Depois de mais de um mês ela me pareceu diferente, quase uma estranha. Agradeci ao rapaz. Assinei uns papéis e levei minha ex-companheira de viagem para dentro. Quem sabe poderemos, num futuro próximo, fazer uma nova viagem e, então, nada irá nos separar.

A Nova Companheira


A Nova Companheira

Maurilio Tadeu de Campos



Férias. Novo passeio, desta vez a Portugal. Conheci a minha nova companheira de viagem numa agradável tarde de domingo. À primeira vista ela me pareceu um pouco ousada para os meus padrões mais conservadores. No entanto, a atração inicial definiu que iríamos juntos. No primeiro dia da viagem ela apareceu linda, repleta de adereços. Fomos juntos para o aeroporto e, após longo vôo chegamos a Lisboa. No dia seguinte iniciaríamos uma maratona de doze dias, que incluiria não somente a capital, mas várias outras cidades portuguesas.

Na viagem que fiz há dois anos, a minha outra acompanhante sumiu assim que o avião pousou em Madrid, aparecendo um mês depois. Passei, então, a ter certo receio de que isso pudesse ocorrer novamente. Estava como “gato escaldado” e precisava cuidar melhor para que não acontecesse fato semelhante. A jovialidade da atual companheira deixava-me ressabiado, pois temia que ela se esvaísse e que eu, pela segunda vez, passasse pela mesma situação. É bom esclarecer que não pude viajar com a antiga companheira pois ela estava impossibilitada. Na viagem anterior ela se acidentara e não se encontrava, ainda, pronta para um novo passeio.

Após dois dias em Lisboa partimos para o sudeste de Portugal. Chegamos a Évora, eu e a minha jovem acompanhante. Apesar de ligeiramente tranquilo estava apreensivo, permanecendo assim também em Tomar, Coimbra, Régua, Guimarães e nas demais cidades lusitanas. Porém, quando saíamos, sempre pela manhã, estávamos juntos. Cada dia uma nova cidade e um novo hotel. E a minha acompanhante sempre comigo, sem que eu observasse nela qualquer embaraço ou indisposição. Notei, porém, que com o passar dos dias ela me pareceu um pouco mais rechonchuda e, coincidentemente, com menos adereços. Eu, que prestava atenção a ela diariamente, tornei-me ainda mais cuidadoso. Quando chegamos à cidade do Porto ela passou a ficar no quarto, “a descansar” das inúmeras viagens de ônibus que fizemos naqueles dias. Eu saia a passeio e, ao retornar, lá estava ela, tranquila, a minha espera.

Finda a viagem, preparamo-nos para regressar. Prontos, fomos para o aeroporto. Embarcamos e, muitas horas depois o nosso avião tocou o solo brasileiro. Já no Brasil, a minha fiel e jovial amiga continuava junto a mim. Chegamos em casa e, dias depois, pude reunir as companheiras de viagem: a mais velha, tão formal como eu, e a mais nova, já pronta para uma próxima viagem. Não estou me referindo a pessoas e sim a duas malas de viagem, a antiga, que se avariou há dois anos, e a atual, adquirida para substituir a outra, que estava com a fechadura quebrara. Os tais adereços colocados na mala nova e que foram se perdendo, eram, de fato, etiquetas coloridas, usadas para que eu melhor identificasse a minha bagagem entre outras tantas, nos aeroportos. E a mala nova ficou mais “gordinha” porque foi recebendo coisas novas, adquiridas durante a viagem. Comparando as duas malas, ótimas companheiras de viagem, confesso que preferiria ter levado a mais antiga, mais parecida comigo, sem desmerecer, é claro, a mais nova, que cumpriu muito bem a sua missão.

sábado, 28 de janeiro de 2012

                         Elis, a estrela do Brasil

Maurilio Tadeu de Campos



“Ah, como essa coisa é tão bonita / Ser cantora, ser artista / Isso tudo é muito bom...”  (Joyce/Ana Terra)



     Sorriso nervoso de dentes pequenos, gestos de braços se agitando combinados ao canto forte. Elis chamou a atenção e imediatamente conquistou inúmeros fãs. Na era dos Festivais, ainda no tempo da TV em preto e branco, assisti a final do Festival Nacional da Música Brasileira de 1965. Elis imprimiu seu talento a uma bela canção de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, Arrastão, que venceu o Festival. O Berimbau de Ouro foi parar nas mãos dos seus autores, que o repassaram à intérprete por merecimento. Elis projetou-se nacionalmente, porém, com a canção Menino das Laranjas de Theo de Barros e Geraldo Vandré. E mostrou a que veio: ser a melhor intérprete da música popular brasileira de todos os tempos. E foi se renovando, ampliando seu repertório, revelando novos e já conhecidos compositores, deixando a sua marca de mulher combativa e determinada. Apesar de ter vivido apenas trinta e seis anos notabilizou-se como artista e ainda hoje é referência na canção popular do Brasil e de além fronteiras. Descoberta em Porto Alegre, sua cidade natal, surgiu para a música e consolidou-se como grande cantora. Procurou trabalhar a sua voz como se fosse um instrumento, extremamente afinado, dominando graves e agudos com facilidade. Numa entrevista revelou que cantar era o que mais gostava de fazer; e isso ela fazia isso muito bem, com segurança e perfeição. O sucesso marcou a sua trajetória de artista, aplaudida e reverenciada em muitos palcos brasileiros e do exterior.

     Sempre em busca de maior esmero técnico roçou, com algum risco, períodos de interpretações mais frias, mas soube imprimir à sua carreira momentos vibrantes, intensos, como grande atriz do canto, combinando emoção à técnica de grande intérprete. Seus shows foram disputados por platéias ávidas e numerosas, como em Falso Brilhante, que teve mais de mil apresentações e ficou dois anos em cartaz. Transversal do Tempo foi outro espetáculo cuja polêmica marcou uma fase altamente politizada da cantora em anos difíceis. Saudade do Brasil, outro de seus shows em que a popularidade e a grandiosidade de Elis podiam ser observadas em suas interpretações. E o seu último, O Trem Azul, confirmou a sua versatilidade. Soube conduzir com maestria vários programas de TV, a partir de O Fino da Bossa, apresentados, todos, com talento e, acima de tudo, com carisma e precisão.

     No auge da carreira e repleta de planos saiu da vida, inesperadamente. Ficamos atônitos. Não conseguimos aceitar que, de repente, o Brasil perdia a sua melhor intérprete popular. O rádio, a TV e outros meios de comunicação voltaram-se à morte de Elis. Naquele 19 de janeiro de 1982 nada mais se ouvia a não ser o som da sua voz e as imagens das suas apresentações. As notícias expunham o que não queríamos acreditar. Choraram Marias e Clarices; chorou a nossa Pátria, mãe gentil. Hoje vemos e ouvimos Elis por meios eletrônicos, como desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, processamentos de sinais, uma forma nebulosa feita de luz e sombra, como uma estrela. Há exatos trinta anos Elis Regina intensificou seu fulgor de estrela de primeira grandeza e jamais será esquecida. Brilhará eternamente no universo da música popular de todos os tempos.






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