sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

 

Concurso Contemporânea de Literatura 2020


Os premiados serão conhecidos em data a ser divulgada. Devido a Pandemia, a Cerimônia de Premiação poderá ser "on line".

 

Finalistas  por ordem alfabética:

Poesia

Alex Alexandre da Rosa

Jundiaí   SP


António José Barradas Barroso

Parede   Portugal

Carlos Brunno Silva Barbosa

Valença   RJ


Carolina Ramos

Santos   SP

 

Clara Lobo Bello

Niterói     RJ


Cláudio de Cápua

Santos     SP


Dalva Maria de Araújo Sales

Santos    SP

 

Diego Souza dos Santos

Guarujá    SP


 Duarte Prado de Oliveira Sousa

Viseu    Portugal

 

Ednaldo Rodrigues da Silva Lourenço

Blumenau    SC


Esther  Ribeiro  Gomes

Serra Negra    SP


Eunice Tomé

Santos   SP


Flora Pereira López Mendes

Uruguaiana   RS

 

Francisca Sousa Sampaio

Coimbra   Portugal

 

Francisco Eliúde Pinheiro Galvão

São Vicente   SP


Gílio de Oliveira Melo

Santos   SP

 

Jaíra de Oliveira Presa

Santos   SP


Jandira de Aguiar Prestes

Três Lagoas    MS


Jeanette Maria Octaviano Martins

Santos   SP

 

João Romão Gomes Filho

Santos     SP

 

Júlio Vasques

Palmas   TO


Leonor Góes Almeida

Peruíbe   SP


Maria Augustina Pereira López

Uruguaiana   RS


Maria Zilda da Cruz

Santos    SP

 

Miguel Martins Nunes

Lamego   Portugal


Peilton Santos de Sena

Santos – SP


Santiago Gonzalez Arias

Santos – SP

 

Santiago Ribeiro Castro

Lobito    Angola


Sônia Regina Ribeiro Barbosa

Santos    SP


Tomé Viriato Pereira

São Tomé    São Tomé e Príncipe

 

 

CRÔNICA

 

Cleber Santana da Costa

Guarujá    SP


Cleide Cenedesi

Guarujá   SP


Daniel Bernardo da Silva

Praia Grande    SP

 

Diego Souza dos Santos

Guarujá   SP


Gílio de Oliveira Melo

Santos    SP

 

João Romão Gomes Filho

Santos    SP


Laurindo Ferreira Melo

Bertioga   SP


Sandra Souza

Bertioga    SP

 

Sérgio Oliveira de Vasconcellos-Corrêa

Guarujá    SP

 

Sônia Regina Ribeiro Barbosa

Santos    SP

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Concurso Contemporânea de Literatura 2020 - Parceria Editora Comunnicar e UNISANTA

A Editora COMUNNICAR continua parceira da Contemporânea Projetos Culturais na realização do Concurso Contemporânea de Literatura 2020. A COMUNNICAR está nos oferecendo apoio cultural na edição da coletânea do Concurso, com excepcional profissionalismo e qualidade editorial. Além disso, estamos contando, também, com o apoio logístico da UNISANTA - Universidade Santa Cecília, que nos cederá o seu Auditório e todo o seu suporte técnico para a cerimônia de premiação. A Direção da Contemporânea Projetos Culturais agradece à Editora COMUNNICAR e à UNISANTA pela sensibilidade e pelo apoio ao nosso Projeto.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Concurso CONTEMPORÂNEA de Literatura 2020 - Regulamento


CONCURSO CONTEMPORÂNEA DE LITERATURA 2020
MODALIDADE – CRÔNICA


Realização: Contemporânea – Projetos Culturais

Inscrições até  25 de agosto de 2020

Tema: Livre

Objetivo: Despertar o interesse pela arte e cultura, através da produção literária, resultado da prática da boa leitura.

Podem se inscrever escritores residentes nos municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos, São Vicente).
Pessoas vinculadas à Contemporânea – Projetos Culturais estão impedidas de participar deste Concurso.
Cada autor poderá participar com apenas uma crônica, inédita, digitada em fonte arial  tamanho 12, em cinco vias, impressa em um só lado do papel, contendo, no máximo, duas laudas com, até,  vinte e cinco (25) linhas em cada lauda, perfazendo o total de 50 (cinquenta) linhas.

As cinco vias da crônica inscrita deverão estar identificadas apenas com o pseudônimo do seu autor. Em envelope anexo, lacrado, deverão constar os dados do autor: nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo (inclusive CEP), telefone com DDD, e-mail, pequeno currículo na área literária, título da crônica inscrita e como tomou conhecimento do Concurso. Enviar tudo em um envelope maior, identificando o remetente apenas com seu pseudônimo.
            As crônicas inscritas no Concurso, após a realização das fases de seleção, farão parte do arquivo da Contemporânea – Projetos Culturais e não serão devolvidas.
            A seleção dos trabalhos será feita por uma comissão julgadora formada por escritores e/ou pessoas de reconhecida capacidade intelectual, vinculadas ao mundo da arte e da literatura.
            Serão selecionadas dez (10) crônicas, entre as participantes e, em etapa posterior, escolhidas entre elas os três (03) melhores, premiando-se os seus autores. Ao autor da crônica vencedora será outorgado o “Troféu Contemporânea”.  Para os classificados entre 2º e 3º lugares, serão concedidas medalhas. As dez (10) crônicas finalistas farão parte da antologia que será lançada na  premiação do Concurso.
            A comissão julgadora reserva-se ao direito de premiar quantidade menor de participantes, se entender que o nível dos trabalhos não faz jus aos objetivos do Concurso. 
            A divulgação do resultado acontecerá na solenidade de premiação, que será realizada em Santos/SP, no mês de outubro de 2020, em data e local a serem amplamente divulgados.
            Os premiados e finalistas que não puderem comparecer à solenidade de premiação, deverão designar representante. As despesas decorrentes do envio dos  prêmios através dos correios (por meio de correspondência registrada) ficarão por conta dos premiados.
            Enviar os trabalhos para: Concurso Contemporânea de Literatura 2020 – aos cuidados de Maurilio Tadeu de Campos  – Rua Visconde de Faria, 250 – apto. 82 – Santos - SP - CEP 11075-711,  até o dia 25/08/2020, valendo a data do carimbo de postagem nos correios.       

Concurso CONTEMPORÂNEA de Literatura 2020 - Regulamento


CONCURSO CONTEMPORÂNEA DE LITERATURA 2020
MODALIDADE – POESIA


Realização: Contemporânea – Projetos Culturais

Inscrições até  25 de agosto de 2020

Tema: Livre

Objetivo: Despertar o interesse pela arte e cultura, através da produção literária, resultado da prática da boa leitura;
Podem se inscrever autores brasileiros ou estrangeiros com textos escritos, obrigatoriamente, em língua portuguesa.
Pessoas vinculadas à Contemporânea – Projetos Culturais estão impedidas de participar deste Concurso.
Cada autor poderá participar com apenas um poema, inédito, digitado em fonte arial  tamanho 12, em cinco vias, impresso em um só lado do papel, contendo, no máximo, 30 (trinta) versos.

As cinco vias do poema inscrito deverão estar identificadas apenas com o pseudônimo do seu autor. Em envelope anexo, lacrado, deverão constar os dados do autor: nome completo, pseudônimo, idade, endereço completo (inclusive CEP), telefone com DDD, e-mail, pequeno currículo na área literária, título do poema inscrito e como tomou conhecimento do Concurso. Enviar tudo em um envelope maior, identificando o remetente apenas com seu pseudônimo.

            Os poemas inscritos no Concurso, após a realização das fases de seleção, farão parte do arquivo da Contemporânea – Projetos Culturais e não serão devolvidos.
            A seleção dos trabalhos será feita por uma comissão julgadora formada por escritores e/ou pessoas de reconhecida capacidade intelectual, vinculadas ao mundo da arte e da literatura.
            Serão selecionados vinte e cinco (25) poemas, entre os participantes e, em etapa posterior, escolhidos entre eles os cinco (05) melhores, premiando-se os seus autores. Ao autor do poema vencedor será outorgado o “Troféu Contemporânea”.  Para os classificados entre 2º e 5º lugares, serão concedidas medalhas. Os vinte e cinco (25) poemas finalistas farão parte da antologia que será lançada na  premiação do Concurso.
            A comissão julgadora reserva-se ao direito de premiar quantidade menor de participantes, se entender que o nível dos trabalhos não faz jus aos objetivos do Concurso. 
            A divulgação do resultado acontecerá na solenidade de premiação, que será realizada em Santos/SP, no mês de outubro de 2020, em data e local a serem amplamente divulgados.
            Os premiados e finalistas que não puderem comparecer à solenidade de premiação, deverão designar representante. As despesas decorrentes do envio dos  prêmios através dos correios (por meio de correspondência registrada) ficarão por conta dos premiados.
            Enviar os trabalhos para: Concurso Contemporânea de Literatura 2020 – aos cuidados de Maurilio Tadeu de Campos  – Rua Visconde de Faria, 250 – apto. 82 – Santos - SP - CEP 11075-711, até o dia 25/08/2020, valendo a data do carimbo de postagem nos correios.       

sexta-feira, 6 de julho de 2018

À minha sempre jovem amiga


Homenagem à Edith Pires Gonçalves Dias, minha grande amiga!

A afeição faz a mulher ser sempre bela. Em Edith, a beleza é manifestada pelo seu doce olhar de olhos claros, pelo som suave da sua voz a sempre acarinhar, pela inigualável preocupação em valorizar cada afeição já conquistada. Sempre que um artigo meu é publicado em “A Tribuna”, o telefone toca e eu a ouço dizer, do outro lado da linha: “Aqui é a sua mais jovem amiga! Adorei seu artigo!” Há prêmio mais valioso do que receber esse carinho? E ele vem de Edith Pires Gonçalves Dias, a minha mais querida e sempre doce amiga. Mulher importante para a sociedade santista, respeitada e querida por muitos. Biógrafa de Martins Fontes.   Requisitada, oficialmente, para proferir seus discursos em louvor à Santos, a cada janeiro, no aniversário da cidade, em cerimônia repleta de autoridades. Edith lutou, aguerrida, pela preservação do belo e imponente casarão branco, onde morou e que hoje abriga a Pinacoteca Benedicto Calixto. Nos jardins desse espaço preservado, uma alameda leva seu nome, justa homenagem.
No dia 6 de julho deste ano, a sempre jovem Edith completa 99 anos. E essa data será muito festejada, dada a importância dessa sempre bela mulher, exemplo de vivacidade, de lucidez e, acima de tudo, de extrema humildade. Preserva em suas recordações, quase um século da história de Santos, cidade que a venera e que tem nela a ideal referência de muitas lembranças.
Conheci Edith no final dos anos 1970, quando frequentava a Associação Espírita Beneficente Anjo da Guarda. Excepcional oradora, a sempre esbanjar simplicidade em meio à luz do seu jeito simples, mas grandioso. Algum tempo depois nos reencontramos, em outubro de 2006, na Academia Santista de Letras. Eu acabara de ser eleito para ocupar a cadeira número 32 naquele sodalício. No dia da minha posse, em 4 de outubro daquele ano, fui conduzido por ela para receber as saudações de praxe.
Sempre que nos encontramos, aproveitamos para conversar. E eu, aprendiz aplicado, usufruo dessa boa amizade e desse aprendizado. Quando estou ao seu lado, os fluídos de afabilidade que ela irradia, fazem-me um bem imenso. Edith é uma pessoa especial. Quando ela fala, é preciso estar em absoluta atenção. Com memória singular, Edith discorre sobre diversos assuntos com extrema naturalidade, levando a todos a viajar por ambientes e situações por ela retratados magistralmente, como se lá também estivéssemos.
Edith representa para mim um modelo de amizade que quase não se vê nos dias de hoje. Tenho muitos conhecidos e algumas dezenas de amigos. Edith está entre esses amigos, ocupando posição especial, pois ela conhece, como poucos, o sentido da amizade.  Guardo do lado esquerdo do peito todos os amigos porque são eles os esteios e os portos seguros nos quais deposito o meu amor e o meu carinho incondicional. Creiam que Edith Pires Gonçalves Dias ocupa lugar especial dentro do meu peito. Temos uma sintonia incrível, que nos une como companheiros nessa bela e iluminada estrada da existência. E esse é o verdadeiro sentido da vida: viver bem, em paz, com felicidade e harmonia. A nossa vivência não teria sentido se não existissem amizades verdadeiras, manifestadas entre pessoas que se querem bem e se respeitam naturalmente. E, especialmente, ser amigo de Edith é um grande privilégio. Deus abençoe Edith Pires Gonçalves Dias, a grande dama da cidade de Santos!
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Maurilio Tadeu de Campos - Professor, poeta e escritor. Presidente da CONTEMPORÂNEA - Projetos Culturais. Membro efetivo da Academia Santista de Letras.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

A vida é feita de Escolhas


A vida é feita de escolhas

 

Maurilio Tadeu de Campos

 

A vida é repleta de inúmeras escolhas que nos remetem a impasses, algumas vezes difíceis de resolver. Desde que nascemos fomos orientados a optar, a tomar decisões, a ir por um ou por outro caminho, sabendo das responsabilidades pelas consequências de cada escolha.

Há escolhas simples, desde aquelas que nos possibilitam definir com qual roupa iremos sair, o que comer nas refeições, que direção tomar diante de inúmeros caminhos. Escolhas mais complexas também permeiam o nosso desempenho na vida: se iremos nos envolver com uma determinada pessoa, decidir por viver só ou acompanhado, casar, ter filhos, adquirir um bem, escolher o lugar para morar, optar por uma carreira e preparar-se adequadamente para bem desempenhar a nossa profissão.  E assim, fazemos escolhas que poderão nos proporcionar prazer, felicidade ou, até, arrependimentos para, assim, poder ter novas oportunidades para mudar, seguindo novos rumos.

          Quando optamos por um caminho novo acabamos envolvendo outras pessoas nas nossas escolhas, os nossos companheiros de jornada. As escolhas que praticamos também dependem daquelas que também são feitas pelas pessoas envolvidas em nossa vida, pois convivemos e compartilhamos situações em conjunto e cada movimento que fazemos influencia os movimentos dos nossos parceiros. E as escolhas deles também acabam influenciando as nossas. Podemos ser livres para tomar todas as atitudes que pretendemos, mas precisamos entender que, muitas vezes, deixamos de ser mais ousados porque se o formos, comprometeremos pessoas que gostamos e, certamente, precisaremos ser mais cautelosos para não magoá-las, uma vez que as alegrias e ansiedades delas também serão nossas.

          Seria interessante se pudéssemos viver vidas dentro da nossa vida, de maneira que, de tempos em tempos, pudéssemos encerrar uma etapa e iniciar outras. Mas, se assim o fizéssemos, que sentido teria a nossa existência se não fosse toda ela construída a partir das escolhas? Cada escolha vai se acumulando a outras, sendo difícil interromper essa sequência de opções “livremente pretendidas e obtidas”.

          Quando nos encontramos no recesso dos nossos lares, recolhidos aos nossos próprios pensamentos, compreendemos que somos o resultado das inúmeras escolhas que praticamos. Certamente nos vem à mente que se tivéssemos tomado outras decisões tudo seria totalmente dessemelhante; outras escolhas determinariam outras consequências que nos fariam passar por experiências diferentes e seríamos, então, pessoas nada parecidas às que somos hoje.  As experiências acumuladas fazem de nós seres únicos e distintos dos nossos semelhantes, apesar de sermos tão parecidos em atitudes e reações.

Então, antes de maldizer a má sorte, e ter atitudes negativas diante da nossa atual condição de vida, precisamos entender que todas as escolhas que fazemos são as melhores e que, a partir delas baseia-se a (re)construção da nossa vida, abalizada nas preferências que nos  possibilitam ser cidadãos mais felizes, mais capazes de fazer novas e muitas outras escolhas que deixam marcas na nossa estrada já percorrida e que nos auxiliarão a trilhar caminhos ainda não conhecidos com a segurança que trazemos dentro de nós, pois somos fortes o suficientemente para superar todos os obstáculos encontrados ao longo da nossa existência.

Tecnologia Aproxima ?



Quando jovem, sonhava em possuir uma máquina de escrever. Custei a ter esse tão sonhado instrumento de escrita e, quando consegui comprar, precisei escolher a mais barata, que cabia no meu orçamento. Era uma máquina portátil, bem compacta. O tempo passou e eu adquiri outra, maior, com mais recursos e, assim, fui construindo meus textos e, com mais entusiasmo, passei a produzir jornais literários, contando com a ajuda de um mimeógrafo para reproduzir os periódicos. Era o máximo! Podia divulgar, assim, prosa e poesia de escritores locais e sofisticar os saraus literários da ocasião.

O tempo passou e, já nos anos noventa, comprei o meu primeiro microcomputador, bem mais sofisticado do que a máquina de escrever, que possibilitou ampliar a minha capacidade para produzir e reproduzir trabalhos com excepcional definição. Conseguia resultados bem melhores do que aqueles antes obtidos. Meus contatos com as pessoas passaram a ser mais ágeis. Antes usava cartas, cartões de mensagens, telegramas e outros meios de comunicação mais tradicionais; agora, os e-mails e as comunicações nas redes sociais permitiam rapidez nos relacionamentos, o que me fez abandonar de vez aquela minha aquisição de jovem ansioso pela sua primeira máquina de escrever. O computador passou a estar diante de mim, um aparelho habitual mais preciso, complexo e fascinante.

A tecnologia avançou e possibilitou a todos possuir instrumentos de comunicação ainda mais sofisticados. O telefone celular (o telemóvel, como dizem os portugueses), quando surgiu, era analógico, servindo apenas para contatos telefônicos; hoje possui múltiplas funções e, uma vez habilitado pode ser utilizado de modo a permitir aos seus usuários comunicação instantânea; antes artigo de luxo, hoje usado por muitas pessoas desde a mais tenra idade. Os tablets ampliaram e facilitaram ainda mais o convívio virtual nessa nossa “aldeia global”.

Hoje vejo crianças muito pequenas manipulando instrumentos de comunicação com uma facilidade que eu ainda não possuo. Os pequenos, ainda não alfabetizados, apoderaram-se da tecnologia com uma precisão espantosa. É habitual encontrar várias pessoas com seus aparelhos eletrônicos num quase frisson, “antenadas” com o mundo. Percebo que virou insignificante a comunicação mais pessoal e, quando acontece, é quase um resvalar de instantes em que os contatos virtuais perdem-se, em decorrência de supostas quedas de sinal.

          Voltei no tempo e percebi que, embora tivéssemos antes menos tecnologia, os contatos pessoais e calorosos nos possibilitavam a convivência mais saudável porque necessitávamos estar mais juntos para por em prática a real comunicação. Hoje as pessoas passaram a adotar comportamentos individualistas porque a sofisticação dos equipamentos parece querer a isso exigir. Eu diria até que os “amigos” acabam por assumir a aparência dos nossos aparelhos, excessivamente virtuais, e que é fácil “desligá-los” quando não estamos mais interessados neles; é só um toque ou um bloqueio e a situação fica “resolvida”. Entendo que, pelo que me parece, será difícil voltar ao tempo em que compartilhávamos mais o “olho no olho”, a “conversa ao pé do fogo” e conseguíamos ver as reações, as lágrimas saltando dos olhos e o sorriso nos lábios, nos muitos momentos em que a emoção possibilitava a prática do verdadeiro bem querer.

sábado, 7 de julho de 2012


Companheira de Viagem



Maurilio Tadeu de Campos



          Saímos juntos para a viagem dos nossos sonhos, dispostos a aproveitar ao máximo os dias de descanso e de lazer no continente europeu. No avião, ficamos em lugares separados. Porém, ao desembarcar, procurei-a inutilmente. Indaguei em vários lugares e ninguém soube me informar sobre o seu paradeiro.

          O tempo passava e eu ia ficando mais preocupado. Em cada hotel eu averiguava se havia alguma notícia, mas nenhuma informação positiva me era fornecida. Ela teria me abandonado? Estaria com outra pessoa? Teria tomado outro rumo sem me avisar? A ausência dela diminuiu a minha satisfação, o meu prazer. Cheguei a pensar em sequestro, mas nenhuma evidência sugeriria tal hipótese. Fiz novos amigos nos lugares em que visitei e, com eles, conheci os mais diversos pontos turísticos. Tudo parecia novidade e eu carecia de distração para não pensar mais na minha companheira de viagem que pensei ser inseparável, mas que desaparecera. Tudo o que queria era estar com ela, usufruir da sua presença. Outras companhias surgiram, mas nenhuma delas me atraia. Eram belas, muitas delas alegres, outras mais sóbrias. Algumas até pareciam ser jovens demais para mim. Porém, meu interesse era reencontrar a companheira sumida.

          Em Paris, fiquei sabendo que ela estaria me aguardando em Londres, no hotel. Fiquei feliz. Iria revê-la dois dias depois. Procurei aproveitar os passeios e quando tomei o trem de Paris a Londres, parecia que os ponteiros do relógio moviam-se mais devagar do que de costume. Finalmente, a chegada à capital inglesa. Lá, o nosso receptivo nos conduziu até o hotel. Entrei apressado e, sem demora, dirigi-me à recepção. Perguntei por ela. Um dos recepcionistas, educadamente, pediu que eu aguardasse. Minutos depois retornou, dizendo que ela não estava no hotel, sequer em Londres. Comprometeu-se, no entanto, a apurar novas informações. A tristeza novamente tomou conta de mim. Fui para o meu quarto e lá fiquei, deitado na cama, no escuro, frustrado. Qual teria sido o seu paradeiro? Por que haviam garantido que ela estava em Londres?

          Na manhã seguinte fui informado que ela embarcara num vôo de retorno ao Brasil, saindo de Madrid. Por mais que eu tentasse, não conseguia compreender aquela separação.

          Retornei ao Brasil. Quase um mês depois, bem cedinho, a campainha tocou. Abri a porta e lá estava ela, na companhia de um jovem rapaz muito alinhado. Teria ela que reaparecer depois de tanto tempo e, ainda por cima, acompanhada? O rapaz apresentou-se como funcionário da empresa aérea na qual havíamos viajado.

          - Senhor, - disse ele – tive a missão de trazer a sua mala, extraviada durante a sua recente viagem à Europa. Em nome da nossa companhia peço desculpas pelos eventuais transtornos.

          Olhei-a com estranheza. Depois de mais de um mês ela me pareceu diferente, quase uma estranha. Agradeci ao rapaz. Assinei uns papéis e levei minha ex-companheira de viagem para dentro. Quem sabe poderemos, num futuro próximo, fazer uma nova viagem e, então, nada irá nos separar.

A Nova Companheira


A Nova Companheira

Maurilio Tadeu de Campos



Férias. Novo passeio, desta vez a Portugal. Conheci a minha nova companheira de viagem numa agradável tarde de domingo. À primeira vista ela me pareceu um pouco ousada para os meus padrões mais conservadores. No entanto, a atração inicial definiu que iríamos juntos. No primeiro dia da viagem ela apareceu linda, repleta de adereços. Fomos juntos para o aeroporto e, após longo vôo chegamos a Lisboa. No dia seguinte iniciaríamos uma maratona de doze dias, que incluiria não somente a capital, mas várias outras cidades portuguesas.

Na viagem que fiz há dois anos, a minha outra acompanhante sumiu assim que o avião pousou em Madrid, aparecendo um mês depois. Passei, então, a ter certo receio de que isso pudesse ocorrer novamente. Estava como “gato escaldado” e precisava cuidar melhor para que não acontecesse fato semelhante. A jovialidade da atual companheira deixava-me ressabiado, pois temia que ela se esvaísse e que eu, pela segunda vez, passasse pela mesma situação. É bom esclarecer que não pude viajar com a antiga companheira pois ela estava impossibilitada. Na viagem anterior ela se acidentara e não se encontrava, ainda, pronta para um novo passeio.

Após dois dias em Lisboa partimos para o sudeste de Portugal. Chegamos a Évora, eu e a minha jovem acompanhante. Apesar de ligeiramente tranquilo estava apreensivo, permanecendo assim também em Tomar, Coimbra, Régua, Guimarães e nas demais cidades lusitanas. Porém, quando saíamos, sempre pela manhã, estávamos juntos. Cada dia uma nova cidade e um novo hotel. E a minha acompanhante sempre comigo, sem que eu observasse nela qualquer embaraço ou indisposição. Notei, porém, que com o passar dos dias ela me pareceu um pouco mais rechonchuda e, coincidentemente, com menos adereços. Eu, que prestava atenção a ela diariamente, tornei-me ainda mais cuidadoso. Quando chegamos à cidade do Porto ela passou a ficar no quarto, “a descansar” das inúmeras viagens de ônibus que fizemos naqueles dias. Eu saia a passeio e, ao retornar, lá estava ela, tranquila, a minha espera.

Finda a viagem, preparamo-nos para regressar. Prontos, fomos para o aeroporto. Embarcamos e, muitas horas depois o nosso avião tocou o solo brasileiro. Já no Brasil, a minha fiel e jovial amiga continuava junto a mim. Chegamos em casa e, dias depois, pude reunir as companheiras de viagem: a mais velha, tão formal como eu, e a mais nova, já pronta para uma próxima viagem. Não estou me referindo a pessoas e sim a duas malas de viagem, a antiga, que se avariou há dois anos, e a atual, adquirida para substituir a outra, que estava com a fechadura quebrara. Os tais adereços colocados na mala nova e que foram se perdendo, eram, de fato, etiquetas coloridas, usadas para que eu melhor identificasse a minha bagagem entre outras tantas, nos aeroportos. E a mala nova ficou mais “gordinha” porque foi recebendo coisas novas, adquiridas durante a viagem. Comparando as duas malas, ótimas companheiras de viagem, confesso que preferiria ter levado a mais antiga, mais parecida comigo, sem desmerecer, é claro, a mais nova, que cumpriu muito bem a sua missão.

sábado, 28 de janeiro de 2012

                         Elis, a estrela do Brasil

Maurilio Tadeu de Campos



“Ah, como essa coisa é tão bonita / Ser cantora, ser artista / Isso tudo é muito bom...”  (Joyce/Ana Terra)



     Sorriso nervoso de dentes pequenos, gestos de braços se agitando combinados ao canto forte. Elis chamou a atenção e imediatamente conquistou inúmeros fãs. Na era dos Festivais, ainda no tempo da TV em preto e branco, assisti a final do Festival Nacional da Música Brasileira de 1965. Elis imprimiu seu talento a uma bela canção de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, Arrastão, que venceu o Festival. O Berimbau de Ouro foi parar nas mãos dos seus autores, que o repassaram à intérprete por merecimento. Elis projetou-se nacionalmente, porém, com a canção Menino das Laranjas de Theo de Barros e Geraldo Vandré. E mostrou a que veio: ser a melhor intérprete da música popular brasileira de todos os tempos. E foi se renovando, ampliando seu repertório, revelando novos e já conhecidos compositores, deixando a sua marca de mulher combativa e determinada. Apesar de ter vivido apenas trinta e seis anos notabilizou-se como artista e ainda hoje é referência na canção popular do Brasil e de além fronteiras. Descoberta em Porto Alegre, sua cidade natal, surgiu para a música e consolidou-se como grande cantora. Procurou trabalhar a sua voz como se fosse um instrumento, extremamente afinado, dominando graves e agudos com facilidade. Numa entrevista revelou que cantar era o que mais gostava de fazer; e isso ela fazia isso muito bem, com segurança e perfeição. O sucesso marcou a sua trajetória de artista, aplaudida e reverenciada em muitos palcos brasileiros e do exterior.

     Sempre em busca de maior esmero técnico roçou, com algum risco, períodos de interpretações mais frias, mas soube imprimir à sua carreira momentos vibrantes, intensos, como grande atriz do canto, combinando emoção à técnica de grande intérprete. Seus shows foram disputados por platéias ávidas e numerosas, como em Falso Brilhante, que teve mais de mil apresentações e ficou dois anos em cartaz. Transversal do Tempo foi outro espetáculo cuja polêmica marcou uma fase altamente politizada da cantora em anos difíceis. Saudade do Brasil, outro de seus shows em que a popularidade e a grandiosidade de Elis podiam ser observadas em suas interpretações. E o seu último, O Trem Azul, confirmou a sua versatilidade. Soube conduzir com maestria vários programas de TV, a partir de O Fino da Bossa, apresentados, todos, com talento e, acima de tudo, com carisma e precisão.

     No auge da carreira e repleta de planos saiu da vida, inesperadamente. Ficamos atônitos. Não conseguimos aceitar que, de repente, o Brasil perdia a sua melhor intérprete popular. O rádio, a TV e outros meios de comunicação voltaram-se à morte de Elis. Naquele 19 de janeiro de 1982 nada mais se ouvia a não ser o som da sua voz e as imagens das suas apresentações. As notícias expunham o que não queríamos acreditar. Choraram Marias e Clarices; chorou a nossa Pátria, mãe gentil. Hoje vemos e ouvimos Elis por meios eletrônicos, como desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, processamentos de sinais, uma forma nebulosa feita de luz e sombra, como uma estrela. Há exatos trinta anos Elis Regina intensificou seu fulgor de estrela de primeira grandeza e jamais será esquecida. Brilhará eternamente no universo da música popular de todos os tempos.






sábado, 14 de janeiro de 2012

Presentes de Deus


Maurilio Tadeu de Campos

Tarde de domingo, ensolarada. Estava no Deck do Pescador observando o sol estender o seu rastro dourado sobre o mar, na entrada do estuário. Essa cena levou-me à fantasia de um caminhar imaginário naquele tapete estendido pelo astro rei que se despedia para retornar, admirável, no novo amanhecer. Nos rostos das pessoas percebi o prazer que a natureza proporcionava, fazendo todos se irmanarem, cúmplices da magia astral que conduzia ao êxtase completo, à paz, à felicidade. Barcos de diversos tipos e tamanhos cortavam o mar e seguiam pela esteira dourada, num vaivém frenético de quem quer ir ou chegar por esse mar tão nosso e tão próprio da nossa cidade, limite da orla sem limites para o Atlântico.

Em Santos, nos lugares em que costumamos frequentar, acabamos por encontrar pessoas conhecidas e, naturalmente, os laços de amizade vão sendo fortalecidos, mesmo que, inicialmente, nem saibamos direito as identidades dos rostos já familiares e, quase sempre sorridentes. Cada rosto passa a ter um toque conhecido e quando ficamos juntos nos sentimos bem. O pertencimento é o traço de união; estamos na mesma cidade, que escolhemos para nascer e viver, essa Santos marítima que mistura o trabalho e o lazer e nos faz muito bem. E nessas tardes quentes e ensolaradas, reencontrar amigos é inevitável. A busca pela brisa que suaviza o calor vem reger esses instantes agradáveis. Respiramos profundamente e absorvemos a maresia que está impregnada na atmosfera benfazeja; é bom desfrutar desse ar, que nos traz a energia necessária para que enfrentemos bem os dias seguintes. Nos encontros, trocamos sorrisos afetuosos, apertos de mãos, cumprimentos, atos comuns aos que se querem bem.

O verão nos oferece dias mais longos, tardes quase intermináveis em que o poente proporcionado pelo Sol é a constatação de que a porta do dia vai se fechando vagarosamente, conduzindo nossos pensamentos aos sonhos e às coisas boas realizadas ao longo da nossa vida. E cada vez que a porta de um novo dia se abre, nos sentimos preparados para continuar a nossa trajetória de cidadãos do mundo, impulsionados para novos momentos a experimentar.

E eu, ali, naquele deck, extasiado, em meio a um emaranhado de varas de pescar e de semblantes ansiosos vi surgir à minha frente uma suave nave branca, vagarosa, imponente e bela. Braços passaram a se agitar, para as despedidas. Do navio muitos acenaram e nós, ali, retribuímos, como se a desejar boa viagem. E o tapete dourado produzido pelo sol é rasgado pela proa do transatlântico que passa imperante rumo ao oceano. Um apito grave nos acautela e parece nos dizer: “Até breve, vou até ali e já volto”. Logo depois, outros navios, tão majestosos quanto o primeiro, também desfilam pela passarela dourada, espargindo esperanças e conduzindo sonhos, misturados ao lazer e ao entretenimento.

Voltei para casa com as imagens daquele fim de tarde de domingo, tão parecido com tantos outros, mas, ao mesmo tempo diferente. Os domingos jamais serão todos iguais, pois cada um nos traz a sua especial e doce individualidade, que guardamos em nossa memória com alegria e emoção. Em pensamento agradeci a Deus por ter assistido a uma sequência de performances tão singulares, presentes de valor incalculável, oferecidos de graça, numa mistura do progresso do homem e, sobretudo, da grandiosa obra de Deus.

domingo, 24 de julho de 2011

Obrigado pela Visita! Volte sempre!

Obrigado pela visita. Gostaria de contar com os seus comentários, diretamente aqui ou pelo meu e-mail, mtc@iron.com.br.
Neste Blog você poderá ler meus escritos e outras notícias vinculadas a  "CONTEMPORÂNEA-Projetos Culturais", entidade cultural da qual sou presidente.  



Maurilio

Atos Solidários (?)

Numa dessas noites frias de julho vi um pequeno grupo de moradores de rua, acomodados sob a marquise de um supermercado, ocupando o chão forrado com caixas de papelão abertas, usadas para isolar a friagem transmitida pelo piso. Fiquei incomodado com aquela situação. Poderia fazer alguma coisa por eles? Fui até minha casa e, com a ajuda da família, preparei uns sanduíches e uma garrafa de café. Peguei também alguns cobertores que não seriam mais usados em casa. Coloquei tudo numa sacola e voltei à porta do supermercado que, naquele horário já encerrara suas atividades. Cheguei cauteloso. Eram três homens, deitados, já preparados para dormir, enrolados em cobertas surradas e mal cheirosas. Cheguei devagar e, não pretendendo assustar, anunciei minha presença com voz mansa. Um deles levantou a cabeça e eu falei que estava ali para trazer um lanche. Logo, os três sentaram, esperando a minha doação. Ofereci a cada um deles um copo e fui servindo o café, entregando os sanduíches, cuidadosamente embrulhados. Eles começaram a comer enquanto eu os olhava num misto de satisfação e pena. Estava, porém, oferecendo pouco. Não seria aquele lanche que resolveria toda a situação daquelas vidas, repletas de maus tratos e de abandono. De repente, um deles fitou-me diretamente nos olhos. Foi um instante em que a comunicação visual disse quase tudo. Ele transmitiu, naquele olhar, a sua gratidão, mas eu percebi a desesperança de um homem sem perspectivas e que chegara ao fundo do poço. Logo depois, querendo complementar a comunicação, ele disse: “Hoje a gente estava com mais fome do que frio, mesmo com esse tempo. É difícil dormir assim. As cobertas ajudam a esquentar, mas com o estômago vazio fica complicado pegar no sono. Muito agradecido pelo lanche, moço. Se quiser trazer sempre, vai ser bom demais”. Um sorriso triste brotou dos lábios daquele homem, que tentou retribuir minha generosidade com algumas palavras de agradecimento. Os outros também agradeceram pelo lanche e disseram ainda que já estavam acostumados àquela vida e que, em noites muito frias, eram obrigados a procurar locais mais protegidos para suportar o tempo, as vezes chuvoso. Uma sensação de mal estar dominou meus pensamentos. O café e os sanduíches não eram suficientes para resolver a situação deles. Viriam, certamente, outros dias de frio e fome ao desabrigo. Eu havia trazido dois cobertores e eles eram três. Isso, porém, não foi, para eles, o maior problema. Combinaram e distribuíram as cobertas, dividindo tudo, de forma solidária. O mais velho de todos ficou com o cobertor mais volumoso porque, de acordo com o mais moço, era quem precisava ficar mais aquecido; esse ato de humanitarismo serviu-me de exemplo. A vontade de ajudar poderia ser maior do que, simplesmente, fazer algo de bom num único momento da vida daqueles homens. Antes pensara que, agindo assim, estaria em paz com a minha consciência. Estava enganado. A vida não se resume em apenas um dia. A dignidade humana não pode ser tratada com um simples ato isolado. Voltei para casa apreensivo, desejoso de fazer algo mais por aquelas e por outras pessoas. Seria preciso procurar um clube de serviços comunitários para me engajar como voluntário, talvez, aproveitando meu tempo livre para ajudar pessoas carentes e necessitadas de auxílio. Aquele meu gesto quase humanitário foi um alerta para que eu compreendesse que estava muito distante da bondade ainda não colocada em prática por puro comodismo e pela ausência de uma efetiva atitude cidadã de amor e de respeito ao meu semelhante.

Ars Viva, 50 Anos de Boa Música

Em 29 de abril de 1961 um grupo de artistas e intelectuais fez surgir o Madrigal Ars Viva, com a finalidade de divulgar a música menos convencional e seus autores a partir de um movimento nada ortodoxo, que propunha novas maneiras de tratar o som, a palavra, a luz, a composição quase em decomposição proposital, também reconstruída. Tomei conhecimento do Ars Viva nos anos setenta, por intermédio do professor Roberto Martins, também compositor e integrante do coral. A postura do jovem mestre, progressista, bem fundamentada, deixara-me impressionado. Fiquei curioso e fui ver o coral se apresentar. Achei tudo muito estranho. A dissonância invadiu meus ouvidos e não combinou com a minha pouca experiência musical da ocasião, nada erudita. Eu gostava de música, mas aquilo me parecia meio complicado de digerir tão facilmente. Um dia Martins emprestou-me um LP do Madrigal. Em casa, ouvindo o disco, tentei compreender a razão de se fazer algo tão incrivelmente diferente, provocativo e agressivo ao meu incauto ouvido. Em 1974, Roberto Martins substituiu Klaus Dieter Wolff e passou a reger o grupo. Eu, que já tinha interesse em participar de um coral, entendia, no entanto, que não possuía a qualificação necessária para fazer parte do Ars Viva, muito complexo, no meu ponto de vista da época. No início dos anos oitenta, li uma entrevista do Maestro Martins e, num certo trecho, ele pedia para que as pessoas que gostassem de cantar e que fossem afinadas procurassem a sede do Madrigal. Motivado pela entrevista, num sábado do mês de setembro de 1982, fui até a Rua Barão de Paranapiacaba e, na casa de número 31, antiga sede do Ars Viva, ousei fazer parte do Madrigal. Orientaram-me a aguardar o maestro. Ele chegou e eu passei por um teste, sendo indicado a integrar o naipe de tenores. Naquele mesmo dia participei do primeiro ensaio. Retornei para casa com algumas partituras e, nos sábados seguintes, estava integrado aos ensaios do coral. Naquele tempo era preciso passar por uma experiência de seis meses para, depois, poder fazer parte do grupo em um concerto. E a minha estréia deu-se no dia 29 de abril de 1983, na Igreja de São Benedito. Há quase 29 anos pertenço ao Madrigal Ars Viva, um coral que me proporcionou mais do que a oportunidade de cantar. Tornou-se uma escola e fez de mim um ouvinte mais apurado, mais crítico, mais interessado em melhor compreender as diversas vertentes da música, familiarizado mais e mais com novos e já consagrados compositores. O Madrigal está incorporado a mim e, certamente, eu a ele. Pertencemos-nos e o nosso relacionamento faz muito bem a ambos, creio, cantor e coral, numa plena simbiose. Hoje, quando festejamos os cinquenta anos de criação do Ars Viva posso ter o privilégio de comemorar, com os meus companheiros desse espetacular grupo coral, meio século de uma existência coesa, cercada de bons e agradáveis momentos e de inúmeras e gratificantes recordações. Um dia, quando não mais puder fazer parte do Ars Viva, espero que outros cantores o estejam integrando. Raro é existir, num país em que a cultura ainda está relegada a plano secundário, um grupo coral como o Madrigal Ars Viva, diferente dos demais, único, digno representante da música coral de todas as tendências e épocas, laboratório permanente de recriação da música antiga e de criação da música nova. O Ars Viva tem revelado, ao longo de todos esses anos, a obra de novos compositores e divulgado, incessantemente, os já consagrados. Estou muito feliz por fazer parte desse grupo coral. Parabéns Ars Viva!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sejamos Patriotas

No ano da Copa do Mundo o Brasil ficou mais verde e amarelo. Nunca se viu tanto patriotismo: bandeirinhas, bandeirolas, bandeiras gigantes nas mãos de brasileiros, amarradas aos seus corpos, enfeitando janelas. O Hino Nacional, balbuciado ou gritado por muitas bocas que não o sabem cantar inteiro, cuja letra nem é, de fato, compreendida por não ter sido adequadamente absorvida como lema da Pátria. Enfim, os símbolos nacionais estão relacionados, hoje, à Copa do Mundo. E depois? Esse ufanismo todo manifestar-se-á a partir do final desse torneio e ficará incorporado a vida dos brasileiros, ou estará sendo demonstrado apenas em eventos esportivos?
As famílias e as escolas já não mais cultivam o civismo, o amor à Pátria com a mesma intensidade de antes. Sabíamos entoar o Hino Nacional Brasileiro do começo ao fim, sem trocar, por exemplo, versos da primeira com o da segunda parte da letra, ou seja, “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido”, da primeira parte, e “Brasil, de amor eterno seja símbolo”, da segunda. Compreendíamos, também, o significado do poema, cuja maioria dos seus versos foi construída na ordem indireta, com termos ainda pouco conhecidos e nada explicados, principalmente nas escolas. Hoje, não há mais o professor de educação musical e, quando esse profissional existe, talvez nem saiba corretamente a letra e a música de um dos mais belos hinos pátrios de todo o mundo. A Bandeira Nacional, então, está sendo usada em situações discutíveis, tais como: tecido para confecção de roupas, forro de mesa, toalha de praia, lenço de cabeça, guardanapo, fundo para a aplicação de distintivos de times de futebol, num total desrespeito a esse símbolo nacional. A Bandeira Brasileira não é um simples pedaço de pano; é um dos Símbolos da Pátria e, por isso, deve merecer de nós, brasileiros, maior respeito. Hoje ela passou a ser, apenas, a bandeira da Seleção Brasileira de Futebol. E quando a seleção se desfizer? Certamente a bandeira não estará sendo tão lembrada e, ao ser utilizada, certamente não será percebida com a mesma galhardia.
Aproveitemos esse momento para incutir nas pessoas as maneiras mais corretas do uso e do respeito aos Símbolos Nacionais, principalmente a Bandeira e o Hino. Voltemos nossa atenção a eles e nos preocupemos em reverenciá-los nos momentos em que estiverem sendo corretamente utilizados. Se existe o mau uso, até por inocência, é hora de valer-se dos recursos da poderosa mídia para despertar nas mentes das pessoas que esses símbolos são os retratos vivos do Brasil e que devemos, acima de tudo, ter respeito por eles e, quando ouvirmos o Hino Nacional e vermos a Bandeira Brasileira hasteada num mastro ou conduzida num momento patriótico, saibamos que nós, brasileiros, estamos ali representados, como filhos dessa Pátria ainda tão sofrida, tão desigual, tão merecedora de ocupar uma posição de destaque entre as maiores nações do mundo.
Precisamos sentir orgulho pleno da nossa nacionalidade, não apenas nos momentos de competições esportivas, mas a todo instante, para assumirmos uma identidade única, mais solidária, mais humanizadora, mais comprometida com os nossos ideais de cidadania. Não nos permitamos deixar levar como massa ufanista na avalanche da paixão momentânea. Exercitemos os hábitos de civismo com naturalidade, mas com sabedoria, para que, a todo o momento, possamos sentir orgulho do país em que nascemos.
Que as vuvuzelas entoem como “clarins” do civismo pleno, manifestando brava sonoridade que nos remeta ao papel de brasileiros de fato e não apenas de torcedores envolvidos pelo fanatismo passageiro.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sonhos de um novo ano

Cada ano que começa nos traz a esperança de que tudo irá melhorar e que o recomeço nos impulsionará a seguir novos e mais saudáveis caminhos, quem sabe ainda não percorridos por aqueles que insistem em ser individualistas demais, investindo na solidão como um meio de autoflagelação, como se tudo de mal que lhes acontece seja culpa exclusiva de outras pessoas.

É comum nos depararmos com seres humanos tristes, alheios, nada dispostos a compartilhar para viver uma vida mais simples e feliz. Preferem acompanhar os modismos sem perceber que estão sendo manipulados pela sedução do consumismo e pelo imediatismo. Isso faz com que se perca a capacidade de por em prática o afeto e o carinho através de manifestações puras e simples do sorriso, do abraço, do aperto de mão, do elogio e de tantas outras formas de ações positivas que deixaram se ser executadas pelo homem, dito “ser racional”. Dizem os cientistas que o homem é a mais frágil das criaturas, particularmente em dois momentos opostos da vida: a infância e a velhice, dependendo mais dos seus semelhantes para viver confortavelmente e sem riscos. Então, essa fragilidade requer do homem uma atenção mais especial para si mesmo, a tudo que está à sua volta, aos seus parceiros desse tão judiado Planeta Terra.

O ano novo nos possibilita, também, a conscientização e a atenção mais apurada para com o nosso Planeta, no sentido de, ao menos, minorar as bruscas mudanças climáticas que vem ocorrendo e que, certamente, nos impulsionarão a resguardar o nosso habitat, a natureza castigada pelo progresso e pela ganância de ter mais do que é necessário para uma vida digna. Viver apenas para acumular riquezas materiais não faz parte da essência de nenhum ser, habitante da Terra. Um trabalho de introspecção e de reflexão faz-se necessário para que possamos por em prática o que depende, também, de nós, para que possamos viver num ambiente puro e saudável, mais adequado à nossa felicidade.

Saibamos, pois, reverter esse quadro individualista para outro, mais solidário, mais humanitário, mais voltado à certeza de que tudo irá mudar, para melhor, se assim o quisermos. A partir de um trabalho conjunto poderemos conquistar um lugar que está presente nos nossos sonhos e que nenhum dinheiro poderá comprar: um mundo profícuo, feliz, repleto de boas energias e mais propício à realização de todos os nossos desejos, um espaço em que possamos exercitar e por em prática a solidariedade e o humanitarismo. Ainda dá tempo de reverter esse quadro, pois estamos no primeiro mês de 2010, um ano que, certamente, esperamos ser mais feliz em todos os sentidos. Janeiro nos trouxe alguns acontecimentos em que a solidariedade está orientando as atitudes das pessoas, no sentido de auxiliar o semelhante em dificuldades. Aproveitemos essa oportunidade para caminhar rumo a real prática da solidariedade. Isso, certamente, nos fará muito bem, nos fortalecerá como indivíduos capazes de estender as mãos para o afeto, para o carinho e para o querer bem.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um Blog para a literatura

Vamos nos comunicar, trocar idéias, nos conhecer melhor. Ao visitar esse blog, deixe aqui seus comentários, suas opiniões. Ainda estou acrescentando informações e tentando mante-las, atualizadas.

Villa-Lobos, sublime presença



Há 50 anos o Brasil perdia Heitor Villa-Lobos, o nosso mais famoso músico, compositor, arranjador, educador e modernista. Ele tomou para si o trabalho de agrupar as diferentes características culturais manifestadas pelo caboclo, pelo homem das grandes cidades, pelo sertanejo e pelo imigrante, num grande trabalho de etnografia, para transformá-las numa única manifestação cultural, que juntasse todas essas diferenças, deixando-as transparecer através da arte, popular ou erudita. Para reunir todas as variáveis culturais, Villa-Lobos viajou pelas regiões brasileiras, absorvendo as peculiaridades de cada ambiente, ouvindo os sons da natureza, o modo de ser dos habitantes dos diversos lugares por ele percorridos. A partir daí, o compositor descobriu uma linguagem peculiarmente brasileira em música, que o credenciou a ser o principal compositor do movimento modernista de 1922, quando mostrou toda a sua versatilidade, manifestada em sua bela obra. Compôs quase mil canções, entre as quais destacam-se os choros, as Bachianas, além de peças para canto coral que romperam as barreiras do eruditismo, trazendo para as partituras clássicas elementos sonoros e melódicos vinculados ao folclore, aos costumes indígenas e às demais manifestações populares, enaltecendo de maneira sensacional o caráter nacionalista ligados aos hábitos e costumes do Brasil. Foi aclamado em diversos países e hoje é referência para a musica de seu tempo, transpondo fronteiras, tornando-se uma figura sem precedentes na arte e na cultura, nacional e internacional, enaltecendo o nosso país em todos os instantes em que a sua arte chegou aos olhos e aos ouvidos do mundo.

Homenagens estão sendo feitas desde o início do ano, em diversos lugares do Brasil e em outros países. Desde o Festival Villa-Lobos, já na sua 47ª edição, tradicional evento de música clássica realizado no Rio de Janeiro no mês de novembro, além de exibições de documentários, especiais e filmes que enaltecem a figura desse extraordinário brasileiro. A realização bem recente do Simpósio Internacional Heitor Villa-Lobos, em São Paulo, os concertos diversos em várias localidades e até grandes acontecimentos em capitais estrangeiras como, por exemplo, o que está sendo programado para dezembro pela Universidade Sorbonne, em Paris. Essas homenagens simbolizam algo quase inédito: a perpetuação da memória, da cultura nacional que transpõe fronteiras e é apropriada pelos mais diversos povos, pelas nações e que, nesse momento, rememora Villa-Lobos, esse genial artista, respeitado onde quer que seja mencionado.

Heitor Villa-Lobos merece cada gesto, cada lembrança, cada homenagem, pois é exemplo a ser seguido por todos aqueles que anseiam fazer da arte e da música o seu meio de satisfação pessoal e profissional e os que pretendam, como ele, acariciar os nossos sentimentos, despertando a sensibilidade, a emoção e o prazer de conviver com a boa e apurada produção artística, típica dos grandes mestres.
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Maurilio Tadeu de Campos é professor e escritor. Membro efetivo da Academia Santista de Letras e Presidente da Contemporânea Projetos Culturais.

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